O Alexandre vai em breve fazer 14 anos e a Inês, daqui por alguns dias terá 6 anos.
Hoje aconteceu uma boa com a Inês que me fez lembras que há anos quando o Alexandre tinha uns três anitos e que viu, ou teve a consciência de ver pela primeira vez um frango, o miúdo ficou espantado.
Comia frango de vez em quando e por isso estava farto de ver frango à frente dele. Sabia o que era um frango. O frango tem a forma de um paralelepípedo bastante espalmado cujos anglos são todos rectos e as faces superior e inferior são rectangulares.
Não o frango não podia ser aquela coisa que andava de um lado para o outro a esgaravatar a terra com as suas patas e a picá-la com o bico. E, cúmulo dos cúmulos, vestida com penas. Não, decididamente, o frango não era isso.
Hoje então, anos depois, a irmã dele pede-me para escolher entre duas figurinhas de terra cozida. Ambas representam personagens femininas vestidas de trajes do século XIX. A primeira de joelhos e mãos postas, estaria certamente a rezar. A segunda, com um cântaro de água, vinha de regresso da fonte porque o trazia de pé sobre a cabeça.
Eu indico à Inês a segunda personagem.
- O que está ela a fazer? - pergunta-me a minha filha.
Eu, pensando fazer bem, começo por lhe situar a cena num contexto:
- Sabes que antigamente não havia água nas casas...
E maravilhada interrompe-me e diz-me:
- Ah sim! Então havia o quê, Coca-Cola?
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